SEM DÓ NEM PIEDADE: Samar corta fornecimento de água da casa de menino que aguarda transplante de rim para viver

Desgraça pouca, não só literalmente, é bobagem. Tem situações que acometem determinadas famílias que, não fossem para lá de verdadeiras, poderiam enredar típicas tragicomédias da cultura brasileira. No entanto, o grau de realismo é tamanho que só serve para ampliar, de fato, a dor e o sofrimento daqueles que já estão na penúria.

Horas após o Política e Mais publicar, nesta terça-feira (24), o caso do pequeno Paulo Otávio, de cinco anos, que é de Araçatuba e está internado em um hospital na cidade de Bauru, sendo submetido a diálise diariamente para poder viver, tendo em vista que seu único rim (ele nasceu com apenas um) parou de funcionar, após anos tomando remédio para uma síndrome nefrótica, a família foi surpreendida com um corte de água da residente onde mora, no bairro Porto Real 2.

De acordo com o pai de Paulo Otávio, o moto-taxista desempregado Roger Paulo Pereira, 29 anos, a Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba) cortou a água de sua residência no período em que foi buscar seu outro filho, gêmeo de Paulo Otávio, na escola.

Enquanto a mãe acompanha o menino que precisa de uma máquina, até conseguir um transplante de rim para sobreviver, em sua internação em Bauru, o pai fica em casa, sem poder trabalhar, para cuidar de mais duas crianças. Um outro menino de 5 anos e uma menininha de apenas 3 aninhos.

“Eu saí para ir buscar ele na escola e quando voltei a água estava cortada e tinha um papel pregado na porta, informando sobre a falta de pagamento”, explica Roger.

De acordo com ele, uma negociação de dívida foi feita com a Samar em fevereiro deste ano, mas por causa da situação e o valor que vem sendo cobrado, a família não teve mais como pagar. “A gente não tem nada em casa, ainda assim a conta passou a vir alta. Esta última, no valor de R$ 118,00”, explica.

Sem ter condições de pagar para que a água da casa seja retomada, Roger pede ajuda. “A gente consegue ficar sem energia, mas sem água, e ainda com duas crianças em casa, como que se faz”, diz o rapaz, que está sem poder trabalhar.

Em conversa com o Política e Mais, ele disse que seu filho foi transferido para Bauru por precisar de atendimento por um nefrologista pediátrico. Enquanto aguarda alta, que ainda não tem previsão, seus pais lutam para conseguir recursos para sustentar a família e adaptar a humilde casa em que moram, no Porto Real 2, para receber Paulo Otávio, que vai precisar continuar passando por diálise, todos os dias, até conseguir um transplante.

A mãe, Andréa Carlos Firmino, 28, que é dona de casa e acompanha o filho no hospital, conta que a família está sem renda. Ela chegou a vender o celular, pois os gastos com medicamentos chegavam a R$ 300,00 por mês.

Assim que tiver alta em Paulo e retornar para Araçatuba, Paulo Otávio terá de continuar fazendo diálise em sua residência, com uma máquina fornecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O menino terá de usar um cateter continuamente e precisa estar em um ambiente sem poeira, com poucos móveis e extremamente limpo. Tudo para evitar a presença de micro-organismos que possam causar infecção.

No entanto, o quintal de sua residência é de terra e o quarto que Paulo Otávio divide com os irmãos tem vários móveis, pois a casa é pequena. A ideia da mãe é cimentar o quintal e construir um cômodo no fundo, para colocar os móveis e deixar o quarto de Paulo Otávio apenas com uma cama box e um televisor. O cômodo em que ele vai ficar precisará ainda de um ar-condicionado e de uma mesinha para a máquina de diálise.

O QUE DIZ A SAMAR

O Política e Mais entrou em contato com a assessoria de imprensa da Samar, na tarde desta terça-feira. Em curtas palavras, a empresa disse apenas que o gerente da concessionária dos serviços de água e esgoto de Araçatuba “já está ciente” do fato e que vai “tratar” do caso.

SERVIÇO

Quem puder ajudar a família de Paulo Otávio, pode depositar qualquer quantia em nome de:

Andréa Carlos Firmino
CPF 381.790.728-19
Agência 0281 Caixa Econômica Federal
Conta Poupança 00052892-8
O endereço da família é Rua Igor Dourado Castro, 316, Porto Real 2, Araçatuba.

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