Secretária, Tieza se livra da obrigação de ‘defender’ Dilador

Pouca gente pode ter parado para avaliar, mas a ida da vereadora Tieza (PSDB) para o governo municipal tem um viés que, na prática, apenas a beneficia, tirando, consequentemente, um peso descomunal de suas costas. Papo reto: fora do legislativo, a tucana não precisa se expor com veemência para fazer a defesa do governo, principalmente em redes de rádio e televisão.

Acreditar que Dilador a convidou pelo currículo que tem e que ela aceitou com entusiasmo, deixando os dois felizes da vida, é simplista demais. Tieza, politicamente falando e tucanamente avaliando, era a pessoa mais gabaritada no Legislativo para defender o atual prefeito. No entanto, antes da eleição da Mesa diretora da Casa, muita água passou debaixo da ponte e a parlamentar, ainda assim, teve que engolir a seco coisas que não queria.

Ter que votar em Rivael Papinha (PSB) para presidente do Legislativo, só para demonstrar unidade de grupo, mesmo com toda a então oposição lhe dando apoio, lhe causou ferida que certamente ainda não cicatrizou. Por ser mulher de palavra, Tieza votou no colega para não colocar os planos do governo em risco.

NÃO À LIDERANÇA

Depois, veio o convite para assumir a liderança de governo na Casa. De pronto, Tieza recusou. Quis atuar como uma vereador comum. Tanto é que, para quem acompanhou as sessões da Câmara até aqui, nunca a viu fazendo uma defensa de extrema veemência do governo municipal. Fez o seu papel, mas sem a mesma paixão de outra.

Por fatos do tipo, assumir a secretaria de Cultura, para Tieza, é livrar-se de um fardo chamado governo. Ela terá a responsabilidade e será cobrada para que faça um bom serviço à frente de uma pasta. Porém, não terá de ficar dando explicações públicas, seja nas transmissões da TV Câmara, seja às pessoas que a procuram no gabinete, sobre fatos do governo que venham a desagradar a população.

Contrarie quem queira, mas esta é uma análise que não se pode deixar de se fazer por quem acompanha a política de Araçatuba. Tieza vem desde o pós-eleição remoendo períodos de mágoa, mesmo que negue isso com todas as forças que tiver.

Não ter tido o apoio de Dilador para se eleger presidente da Câmara, ter negado seu pedido para ser líder de governo e, agora, ter aceito um cargo de secretária é o que ela precisa para colocar sua cabeça e seus passos políticos em ordem.

Assim como já aconteceu com outros vereadores, ela deve voltar no último ano de governo para tentar nova reeleição. Enquanto isso, sua cadeira será ocupada por Márcio Saito, um tucano que, politicamente, ninguém sabe como é, o que pode produzir. Por ter origem nipônica, o que se espera é que seja como todos os outros que já representaram a colônia japonesa de Araçatuba na Câmara: sem explosividades.

“VELHA GUARDA” DE SEMPRE

Com isso, e sem a experiência de Tieza, Dilador terá de recorrer a parlamentares da “velha guarda” que estão loucos para ganhar espaço em seu governo. Cláudio Henrique da Silva (PMN), se não oficialmente, na prática, deve assumir o posto de “líder de governo” por ter habilidade com as palavras e rapidez no jogo político que se é jogado a cada sessão legislativa.

Em miúdos, Tieza sai da Câmara para respirar mais aliviadamente, sem a obrigação de fazer aquilo que, talvez, não esteja entusiasmada a fazer no decorrer dos anos vindouros. Age corretamente para quem, de certa forma, sofreu uma certa traição política. Até porque, durante oito anos de Cido sério (PT) como prefeito, com ela quem mais defendeu o nome de Dilador no Legislativo.

Sua ida para Cultura será positiva para sua pessoa. Para Dilador, nem tanto. Ele terá, como já vem fazendo com o passar dos dias, que cada vez mais abraçar aqueles que tinha até pouco tempo como adversários. A turma da pesada está de braços abertos para lhe acolher e isso já vem acontecendo. Se não ficar esperto, vai acabar como todos os últimos vereadores que administraram a cidade: refém de um grupo parlamentar que vai ditar regras conforme seu interesse. As cartas estão postas à mesa. Façam suas apostas.

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