OUÇA ÁUDIO: Prefeitura diminui número e minimiza mortes de macacos; direção do CCZ não vê motivos para divulgação pública

A Prefeitura de Araçatuba emitiu nota à imprensa, na tarde desta segunda-feira (29), minimizando a morte de macacos no zoológico municipal Flávio Leite Ribeiro e, ao mesmo tempo, afirmando que dois animais morreram no local e não três, como noticiou o Política e Mais com base em informações de fontes no Centro de Controle de Zoonozes. Para a administração municipal, não há motivos para alerta sobre os casos de febre amarela silvestre que tem feito vítimas pelo país e que, desde janeiro de 2017, já matou 52 pessoas no estado de São Paulo.

A nota da Prefeitura, procura esclarecer os óbitos de animais. No entanto, um áudio recebido pelo Política e Mais, relatando um diálogo entre integrante da direção do CCZ e um funcionário do zoológico, retrata a forma “despreocupada” com que o órgão de saúde pública trata a questão.

NÃO PRECISA SABER

No entendimento da pessoa que fala sobre a morte dos bichos no zoológico, “até agora, estava tudo quieto em relação a macaco”. A mesma pessoa prossegue, deixando claro que a população não precisa saber dos riscos que pode estar correndo no que diz respeito a saúde pública.; “Ninguém estava sabendo. Porque não precisa saber, mesmo”, afirma.

Sobre o macaco recolhido nesta segunda-feira pelo CCZ, órgão subordinado à Secretaria de Saúde, a Prefeitura informa que a provável causa da morte seja descarga elétrica proveniente de fiação. Na semana passada, sendo o município, outro macaco morreu no zoológico, mas este era proveniente de uma residência onde seu tutor havia falecido há 40 dias e a esposa dele não tinha condições de ficar com o animal para cuidar. Tratou-se de um animal particular que foi doado ao zoológico.

A Prefeitura afirmam que nos dois casos foram coletados materiais para pesquisa e exames para febre amarela. Todos encaminhados ao instituto Adolfo Lutz para análise. A previsão é de que os resultados resultados sejam divulgados até o final de fevereiro.

A administração municipal ainda informa que, em 2017, cinco macacos que vieram a óbito no município. Todos foram necropsiados pelos médicos veterinários do CCZ e todos deram negativos para febre amarela.

MACACO IGUAL A MOSQUITO

A colocação da Prefeitura, de que em outros anos existiram mortes de macacos na cidade reforça o discurso da pessoa que fala em nome do CCZ e que o Política e Mais teve acesso. “Não existe a necessidade. E eu nem vejo a necessidade de, cada macaco que morrer, eu ir na imprensa falar que morreu um macaco. Não há necessidade disso. É a mesma coisa que eu falar que matei dez mosquitos que transmitia dengue e vou lá na imprensa falar que matei dez, vinte, trinta. É a gente fazer chover no molhado”, afirma

ABENÇOADO QUE FOTOGRAFOU

O membro do CCZ, que fala sobre a desnecessidade de se alertar a população sobre a morte de macacos em Araçatuba, culpa, de forma até irônica, algum funcionário do órgão pelo vazamento da imagem de um macaco morto na unidade.

“Toda essa repercussão está dando, você vai entender, porque um abençoado dentro do CCZ tirou uma foto e mandou para alguém da imprensa. Então, aí que eles querem saber. Porque, até agora, estava tudo quieto em relação a macaco, ninguém estava sabendo, porque não precisa saber, mesmo”, diz integrante do governo, prometendo tomar providências para que não vaze mais notícias sobre os serviços de zoonoses do município.

OUÇA O QUE DIZ INTEGRANTE DA DIREÇÃO DO CCZ SOBRE A MORTE DE MACACOS:

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