Marcelo Teixeira fala sobre ‘Conselho e exemplo’

Sou pai de duas crianças, Sofia e Mateus. Educá-los não é tarefa fácil. Como quase tudo na vida, aprende-se a paternidade no dia a dia, ganhando-se experiência, dando tempo ao tempo. Troca de informações – com o pediatra, pais, avós, tios, educadores e amigos –, leitura – valem os livros, revistas especializadas e também textos da internet – e reflexão ajudam muito. No meu caso, a comunicação tem feito toda a diferença – nem poderia ser diferente em se tratando de um jornalista.

Procuro conversar sobre tudo com os meus filhos, tanto em relação aos singelos e básicos questionamentos pertinentes à infância quanto sobre assuntos mais densos, que eu penso serem convenientes de serem abordados em determinadas situações, como perdas, diversidades e finanças. Devo dizer que essa é a parte mais fácil de nossa comunicação. Difícil é desfazer contradições, como responder “porque a gente não pode e você e a mamãe podem?”. Foi assim que aprendi que, em educação, nada pode ser pior do que um bom conselho seguido de um mau exemplo.

Essa é uma tecla que bato há tempos. Comunicação é percepção. O que permite ao receptor compreender a mensagem é o conjunto de informações transmitidas pelo emissor, desde a fala, à linguagem não verbal, à coerência das ações relacionadas ao tema verbalizado. Como posso dizer a eles, por exemplo, despirem-se de preconceito e me apresentar em qualquer situação menosprezando ou me desfazendo de alguém por conta de sua cor, raça, orientação sexual ou posição social?

Procuro me policiar em relação a contrassensos. Ao menor deslize, é certo que a cobrança sempre vem. E eu que me vire para me explicar e ser convincente. Faço questão, pois não quero que eles cresçam com a sentença de que contra a força não há argumentos.

Em minhas ponderações como pai cheguei à conclusão que três conceitos são básicos na educação dos meus filhos: disciplina (hábitos e rotina da nossa família), repetição de ações, conceitos, afirmações e negações, e exemplo. E tudo permeado pela comunicação.

Como não poderia deixar de ser, eu os estimulo para que falem o que pensam e o que sentem, e se expressem da melhor forma possível. Tenho a sorte de pensarmos da mesma forma, eu e a mãe (Adriana, minha esposa), o que ajuda e muito. Estou longe da versatilidade de Marcos Piangers (palestrante sobre tecnologia e inovação, criatividade e paternidade, escritor do livro best seller O Papai é Pop), de quem sou fã, mas, para mim, com reflexão, percepção, comunicação e uma boa dose de sensibilidade, educar os filhos tem tudo para dar certo.

*Marcelo Teixeira é jornalista e empresário do setor de comunicação corporativa

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