Lindemberg: ‘Supremo Tribunal Federal versus a Lava Jato’

Há poucos dias, a sociedade, seja honesta ou não, foi pega de surpresa, ao ver o Supremo Tribunal Federal consagrar a soltura do petista José Dirceu já condenado a mais de 30 anos de cadeia por crimes em série).

Trata-se este condenado de pessoa que enquanto cumpria pena pelo conhecido mensalão, estava na prática delituosa, sem qualquer receio ou pudor das consequências de suas práticas. Esta é a lição histórica e pedagógica que a Corte maior do Brasil dispõe a todos os brasileiros. Em conclusão que chego, não pedirei perdão à banca de ministros do STF.

Imagino que todos são iguais perante a lei. Em igual condição de Dirceu, ao menos 221 mil condenados em primeira instância poderiam ser soltos de acordo com as ponderações dos cerebrinos ministros do STF. Mas, naturalmente, a maioria não possui o lastro de influência nem os recursos pecuniários para alcançar tamanho benefício.

Dirceu alcançou pela sua contínua prática delituosa ser mais diferenciada que toda população carcerária, a ser o único em tal situação a ter liberdade. As consequências da soltura a favor de Dirceu são inexoráveis. O ex-ministro Palocci, que caminhava para uma delação definitiva e demolidora, ainda tem a chance de se calar e tentar sair pela mesma porta sem nunca sabermos o final da verdade que envolve os quadrilheiros políticos.

O Supremo professoral do Poder Judiciário de peito estufado, bradou na liberdade de tal condenado. Penso que o STF alcançou sua juventude irresponsável que draga todo trabalho feito pela exemplar justiça de Curitiba e seus procuradores, que são jovens, mas, maduros para enxergar o correto e incorreto.

Uma das explicações recentes para manter toda população no cárcere, por exemplo, é a de o tráfico de drogas mata pessoas. Amigos, a corrupção não mata pessoas sem medicamentos? Sem leitos hospitalares? Sem médicos?

Não só mata, quanto cega. Aleija. Decapita pessoas. Fica, com o que vemos, registrados paços vacilantes dados pela Suprema Corte, que caminha à impunidade. O maior risco é o lamaçal onde podem escorregar tarde de mais, sofrer a queda e perder o resto do prestígio da sociedade.

Lindemberg Melo Gonçalves, advogado.

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