Dilador diz que não lê imprensa que critica sua gestão. Que bom!

Eu nem leio. Eu deleto. Não merece o mínimo de credibilidade”. Assim o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), definiu veículos de comunicação que apontam problemas em sua administração ou que cobram promessas feitas durante a campanha eleitoral. A declaração foi dada ao radialista Mario Pereira Brito Júnior, da rádio Cultura FM, na tarde de segunda-feira (10), quando o tucano comandou 100 dias à frente do comando da cidade.

Uma declaração típica do político que de pedra é transformado em vidraça pelos eleitores da cidade que administra. E uma demonstração de que as cinco eleições que disputou até ser eleito – três para prefeito e duas para deputado – não foram suficientes para doutriná-lo sobre as críticas, um direito de qualquer cidadão.

Dilador falou da imprensa de Araçatuba quando perguntado pelo radialista sobre o que pensa a respeito dos “paladinos da escrita” local. A resposta, foi previsível para quem está na alça de mira. Teve contradição e ataque, indicando que anda incomodado com o que sites e blogs, em especial, tem publicado sobre seu atrapalhado início de governo.

Eu respeito todo mundo. A imprensa tem que ser respeitada. Tem uma ala, graças a Deus que é pequena, que não respeita as pessoas, o cidadão, as autoridades”, disse, sem citar veículo de comunicação algum, o que coloca todos os que atuam na cidade em pé de igualdade.

O apresentador questionou Dilador sobre respostas que não são dadas a determinados questionamentos enviados a sua assessoria de imprensa. Uma reclamação estampada em blogs, sites, emissoras de televisão, rádios e também nos jornais de Araçatuba.

Porque o que eles querem não é a verdade. Para a verdade sempre tem respostas”, disse o administrador, que concluiu afirmando que os veículos de comunicação fazem determinados questionamentos para “deturpar” as informações levadas a seus leitores, ouvintes ou telespectadores. “Esse povinho, na verdade, lá entre aspas, são (sic) mais mercantilista”.

O tucano não se aprofundou na sua declaração sobre o mercantilismo da imprensa. Teve sua resposta logo emendada por uma complementação da vice Edna Flor (PPS), que presente na entrevista, disse que não dá para o governo ficar respondendo sobre “picuinhas” ou coisas pessoais. “Eu adotei o seguinte: o silêncio é a melhor resposta para tratar com respeito mesmo as pessoas que não têm respeito por você”, disse a defensora dos direitos humanos. Nem parece a mesma pessoa que, enquanto vereadora, gostava de denunciar a quem fosse da imprensa – de preferência profissionais e veículos mais polêmicos – tudo que via de errado pela frente.

E assim se deu a avaliação da dupla de gestores sobre a imprensa local. Em resumo, os dois estão e deverão continuar incomodados durante todo o mandato, uma vez que a imprensa verdadeira não é a que passa a mão na cabeça nem a que bajula. É a que mostra o que tem para ser mostrado. Queiram ou não os governantes, no caso de Araçatuba, que aí estão.

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