Cego por falta de atendimento médico na juventude, advogado propõe CP contra Dilador após remédios e fraldas escondidos

A Câmara de Araçatuba recebeu na tarde desta segunda-feira (27) o quarto pedido de CP (Comissão Processante) para investigar possível improbidade administrativa em atos do prefeito Dilador Borges (PSDB) antes mesmo de completar três meses de governo.

As primeiras propostas de investigação, não menos importantes, foram arquivadas pelo Legislativo fato de o Legislativo considerar os fatos “irrelevantes” para uma fiscalização da Casa. No entanto, a proposta que acaba de ser protocolada é de extrema gravidade e foi denunciada na última sexta-feira (24) pelo jornal Folha da Região. Na ocasião, o informativo trouxe a público o estoque de medicamentos e fraldas geriátricas no almoxarifado da secretaria de Saúde, enquanto UBSs e Farmácia Municipal estão desabastecidas para atender às necessidades da população.

O pedido de CP formalizado nesta segunda-feira tem como autor o advogado Lindemberg Melo Gonçalves, que sabe o que é sentir na pele o descaso do poder público para com os serviços de saúde que presta à população. Ele ficou cego aos 19 anos, época em morava em São Paulo, por conta da falta de atendimento médico.

Eu sei o que é precisar e não ter acesso por falta de condições. Perdi a visão porque não tive o atendimento devido após passar por um problema de saúde. Sei o que muitas pessoas, em especial idosos e aqueles que estão acamados, devem estar passando por não terem acesso a estes materiais e também a medicamentos que não vinham sendo encontrados nas unidades de saúde. Esperamos que os vereadores tenham compaixão da população e apurem o caso como ele deve ser apurado, sem o uso de subterfúgios ou desculpas para preservar o governo e a cantilena de que o prefeito está apenas iniciando sua administração”, diz Lindemberg. “Ele vinha desde 2008 tentando se eleger prefeito de Araçatuba. Conhece muito bem os problemas e as necessidades da cidade, não tem como ficar inventando desculpas ou jogando responsabilidades no passado. Essa notícia retrata um caso para lá de grave que deve ser investigado com extremo rigor.”

O PEDIDO DE CP

Em sua proposta de comissão, Lindemberg afirma que Dilador cometeu improbidade administrativa uma vez que a reportagem publicada pela Folha da Região indica que partiu dele ordem para que o almoxarifado não ficasse desabastecido.

O advogado cita vídeo postado pelo tucano em sua rede social Facebbok, no qual acusa a administração passada de atravancar processos de compra de medicamentos. Dilador chegou a dizer em vídeo que sua gestão tinha em andamento uma licitação para a compra de R$ 22 milhões em remédios. No entanto, a própria secretaria de Saúde, em e-mail enviado ao Política e Mais, afirma que o gasto em 2017 não deve passar de R$ 4 milhões.

Lindemberg faz observações importantes em seu pedido de CP, sobre discurso que, desde a semana passada, já vem sendo usado por aliados políticos de Dilador na Câmara: o de que remédios e fraldas mostrados pela Folha da Região no almoxarifado são decorrentes de compras recentes feitas pelo município.

Ocorre que, editais de três processos licitatórios da Prefeitura desmentem este discurso. Nos dias 14 e 16 deste mês, a Prefeitura homologou licitações para a compra de medicamentos de rede e para atender a ordens judiciais e em nenhuma delas consta, para dar um exemplo, o item fralda geriátrica, que é o que chama mais atenção na reportagem da Folha da Região.

O mesmo não consta em um outro processo que está em andamento para a aquisição de materiais de uso hospitalar. O que torna o uso dessa versão desculpa da mais esfarrapada por quem quer, tenta ou venha a tentar tapar o sol com a peneira. No caso, amenizar o escândalo dos produtos escondidos no almoxarifado enquanto a população se entrava em situação de sofrimento.

É um fato escabroso e, no mínimo, duro de engolir. O jornal trouxe a público informação que põe por terra o discurso de crise econômica do município, a transparência tão prometida para a administração municipal e, principalmente, o respeito lançado ao vento durante a campanha eleitoral. É um fato deprimente, que passa a informação de que a estratégia do governo era esperar o resultado destas licitações que estão em andamento para se fazer uma espécie de grande divulgação pública de que o município estava resolvendo todos os problemas relacionados a remédios, enquanto muitos estavam simplesmente estocados, escondidos da população”, afirma Lindemberg. “Esperamos da Câmara o que é esperado pela população. Ou seja, investigação com clareza, verdadeira e transparente”, afirma o advogado.

LEIA A PROPOSTA DE CP APRESENTADA POR LINDEMBERG:

REPRESENTAÇÃO CÂMARA – REMÉDIOS

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