BRAÇOS CRUZADOS: Greve nacional dos Correios, contra cortes em plano de saúde, tira de atividade 175 trabalhadores em Araçatuba

A greve nacional dos trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), deflagrada neste domingo (11) em vários Estados, atingiu parcialmente os serviços em Araçatuba. Dos cerca de 250 trabalhadores da categoria na cidade, 70% aderiram ao movimento, ou seja, 175 cruzaram os braços em protesto aos cortes nos planos de saúde da categoria propostos pela estatal.

Atualmente, os trabalhadores pagam entre e 10% e 20% do valor dos planos de saúde, dependendo da faixa salarial. A empresa argumenta que não tem mais condições de arcar com o benefício e aguarda julgamento do Tribunal Superior do Trabalho, que deverá definir como ficará o custeio dos planos.

A proposta da empresa é que os funcionários passem a custear 50% do valor do plano de saúde, além de retirar da cobertura os pais, cônjunges e filhos dos funcionários, explica Luiz Alberto Bataiola, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru, Araçatuba, Botucatu, Presidente Prudente e Região (Sindecteb). A entidade representa cerca de três mil trabalhadores.“A proposta da empresa é inviável, pois a maioria dos trabalhadores recebe o piso de R$ 1.600,00”, argumenta o sindicalista.

Ele destaca, ainda, que a paralisação é um protesto contra as demissões nos Correios nos últimos dois anos, que eliminaram 22 mil postos de trabalho, passando dos 128 mil funcionários, em 2016, para os 106 mil em 2018. “Queremos que a direção dos Correios repense sobre as demissões e o fechamento de agências em todo o País. Eles estão destruindo a empresa”, afirmou o sindicalista.

Sobre o fim da paralisação, Bataiolo disse que dependerá de como ficará a questão do custeio dos planos de saúde. A previsão é que este assunto seja julgado nesta segunda-feira (12) pelo TST.

Em Araçatuba, além da agência central, localizada na Rua Luiz Pereira Barreto, há ainda três centrais de distribuição e carga. Com a greve, a população deve sofrer atraso na entrega de encomendas e correspondências.

O QUE DIZ A EMPRESA

Questionada sobre a paralisação, a ECT se manifestou por meio de nota. “A greve é um direito do trabalhador. No entanto, um movimento dessa natureza, neste momento, serve apenas para agravar ainda mais a situação delicada pela qual passam os Correios e afeta não apenas a empresa, mas também os próprios empregados”, alegam os Correios.

A empresa diz que a paralisação só prejudica a situação dos próprios trabalhadores; “Esclarecemos à sociedade que o plano de saúde, principal pauta da paralisação anunciada para esta segunda-feira (12) pelos trabalhadores, foi discutido exaustivamente com as representações dos trabalhadores, tanto no âmbito administrativo quanto em mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho e que, após diversas tentativas sem sucesso, a forma de custeio do plano de saúde dos Correios segue, agora, para julgamento pelo TST”, afirma. “A empresa aguarda uma decisão conclusiva por parte daquele tribunal para tomar as medidas necessárias, mas ressalta que já não consegue sustentar as condições do plano, concedidas no auge do monopólio, quando os Correios tinham capacidade financeira para arcar com esses custos”, diz o texto.

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